Amantes do Carnaval

Tatuapé canta forte em desfile que narra a luta por terra

Felipe Cruz - MTB 0063803

A Acadêmicos do Tatuapé sacodiu o Anhembi com o enredo “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra!”, assinado pelo carnavalesco Wagner Santos. Fugindo das homenagens a cidades, a azul e branco da Zona Leste apostou em um manifesto político e social sobre a história da agricultura e a importância da reforma agrária. O desfile narrou a trajetória do cultivo desde Tupã até os movimentos contemporâneos de luta pela terra, destacando o papel estratégico da agricultura familiar e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na produção de alimentos saudáveis para o Brasil.

Visualmente, a escola apresentou um conjunto alegórico que impressiona pelo realismo e pela crítica social. O abre-alas evoca a “perfeita comunhão” original entre o homem e a natureza, enquanto setores subsequentes retratam o “sangue da invasão” e a resistência de quilombos e movimentos camponeses. As alas trazem ferramentas de trabalho transformadas em arte, com enxadas e foices estilizadas que simbolizam a liberdade florescendo no campo. A estética mescla a rusticidade da roça com o acabamento típico da Tatuapé, utilizando tons de verde, marrom e o vermelho simbólico da luta social em momentos estratégicos da avenida.

No quesito harmonia, a comunidade do Tatuapé mostrou que abraçou a causa com um canto vigoroso, conduzido pelo intérprete Celsinho Mody. A bateria “Qualidade Especial”, sob o comando de Mestre Higor, traz bossas que incorporam o toque do agogô e a pulsação da terra, mantendo a cadência firme para uma evolução que promete ser tecnicamente impecável. Com o refrão “Tem festa na roça, até o amanhecer / Divide esse chão, pro nosso povo colher!”, a escola encerra a primeira noite do Grupo Especial não apenas como uma candidata ao título, mas como um potente alto-falante das causas do campo no coração da metrópole.

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