O Camisa Verde e Branco pisou na avenida na manhã deste domingo com a autoridade de quem reencontrou seu lugar entre as gigantes. Sob a assinatura do carnavalesco Guilherme Estevão, a escola apresentou o enredo “Abre Caminhos”, uma imersão profunda e respeitosa na energia de Exu, o orixá do movimento, da comunicação e da linguagem. O desfile não apenas desmistificou a figura da entidade, mas a celebrou como a força que rege os mercados, as festas e as encruzilhadas da vida, pedindo passagem para que o “trevo” volte a brilhar no topo do samba.
Visualmente, a Camisa apostou em uma estética simples, unindo o vermelho e do preto. O carro abre-alas, intitulado “Bará Mojubá”, traz uma representação monumental do senhor dos caminhos, com acabamentos em dendê e metais que remetem ao vigor da terra. O público viu a passarela ser ocupada por figuras emblemáticas do “povo de rua”, como Seu Zé Pelintra e Maria Navalha, em alegorias que retratam a Barra Funda como o verdadeiro berço da malandragem e da resistência cultural paulistana.
O Camisa apresentou falhas de evolução e pode perder décimos por estourar o tempo de desfile em um minuto . O último carro ficou parado por alguns minutos e acabou abrindo um grande espaço coma ala que vinha logo à frente.
No setor musical, a bateria “Furiosa”, agora sob uma direção renovada, preparou convenções rítmicas que incorporam toques de terreiro e a gargalhada característica das entidades de rua. O refrão é um verdadeiro manifesto de fé: “O teu feitiço não me pega nem no tranco / Eu sou mais o Exu catiço do Camisa Verde e Branco!”.
















