Os Gaviões da Fiel entram na avenida em 2026 com o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, desenvolvido pelos carnavalescos Rayner Pereira e Júlio Poloni. Após o sucesso do enredo afro em 2024, a agremiação do Bom Retiro mergulhou agora na cosmologia e na resistência dos povos indígenas do Brasil. O desfile foi um manifesto em defesa da floresta e da memória dos povos originários, reafirmando que, enquanto houver um guardião da terra vivo, haverá esperança para o futuro.
O público viu o Anhembi se transformar em uma “Yakoana” (visão espiritual), onde o Gavião se funde a elementos da natureza e da sabedoria dos pajés. O carro abre-alas, “O Despertar de Omama”, traz uma representação monumental da criação do mundo segundo as tradições yanomami, com efeitos que simulam o brilho das estrelas e o frescor das matas. As alas retratam a luta contra a “Xawara” (a fumaça do metal e as doenças trazidas pelo homem branco), utilizando materiais orgânicos, plumagens artificiais éticas e uma paleta de cores que celebra o verde das florestas e o vermelho do urucum.
No setor musical, o intérprete Ernesto Teixeira conduziu um samba que já é considerado um dos hinos de resistência da década. Com o refrão explosivo : “Yandê, Yandê, vai tremer a terra / Eu sou de paz, mas tô pronto pra guerra / Flecha que aponta novas direções / Tenho lado nessa luta, sou Gaviões!”. A bateria “Ritimão”, sob o comando de Mestre Ciro Castilho, preparou convenções rítmicas inspiradas nos rituais de guerra e celebração indígena. Veja Fotos de Ruan Turan e Denise Araújo.




















