A Império de Casa Verde, o “Tigre Guerreiro” da Zona Norte, abriu a segunda noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo com o enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza. A escola mergulha na Salvador do século XVIII para contar a história das negras de ganho, como a lendária Dona Fulô, mulheres que comercializavam quitutes e tecidos para comprar a própria liberdade. O desfile exalta como essas mulheres transformaram adornos, as joias de crioula e os balangandãs, em símbolos de resistência, fé e “livretude”.
Visualmente, a agremiação entregou uma apresentação grandiosa e luxuosa. O abre-alas imponente, intitulado “A Grande Forja Ancestral”, representou o surgimento do ouro místico que se transforma em joias nas mãos dos ourives negros. Os carros subsequentes exploram as joias como “amuletos espirituais” e “cofres ancestrais”, destacando como cada pulseira, anel e colar era, na verdade, um passo a mais rumo à alforria. A estética da escola abusa dos metais ( ouro e prata) contrastando com o azul e o branco tradicionais do pavilhão, criando uma plástica que brilha como um verdadeiro tesouro na avenida.
No setor rítmico, a bateria “Barcelona”, de Mestre Zoinho, garantiu a sustentação para o intérprete Tinga (que divide o microfone com o estreante Tiago Nascimento). O samba, composto por nomes como Diogo Nogueira e Arlindinho, traz um refrão marcante que já é o hino da comunidade para 2026: “Bate tambor, o Império mandou me chamar / Nos balangandãs de ioiô e iaiá / Lá vem Casa Verde quebrando correntes!”. Veja fotos de Denise Araújo e Ruan Turan.

























