Amantes do Carnaval

Léa Garcia ganha desfile poderoso da Mocidade Alegre

Felipe Cruz - MTB 0063803

A Mocidade Alegre entrou na avenida com a missão de retomar o topo do Carnaval paulistano através do enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”. Assinado pelo carnavalesco Caio Araújo, o projeto é um tributo grandioso à atriz Léa Garcia, ícone de resistência e pioneirismo no teatro, cinema e televisão. A “Morada” não fez apenas uma biografia linear, mas uma celebração ancestral, tratando Léa como uma malunga — companheira de luta e de alma que abriu caminhos para que o povo preto pudesse, enfim, ser protagonista de suas próprias histórias.

A narrativa visual foi uma mescla de sofisticação e fundamento religioso. O público viu desde a estreia de Léa no Teatro Experimental do Negro (TEN) até sua aclamação internacional com a Palma de Ouro em Cannes. A estética do desfile aposta na dualidade entre a “pele-preta-armadura” e a leveza da arte, utilizando tons de vermelho, branco e muito dourado para simbolizar a herança de Oxumarê, orixá que rege a homenageada. Alegorias monumentais retrataram os quilombos artísticos e os personagens imortais de Léa, como a emblemática Rosa de Escrava Isaura, agora ressignificada sob a ótica da vitória e não da dor.

No quesito harmonia, o intérprete Igor Sorriso conduziu o samba com vigor . Com uma letra densa e politizada, o hino da Morada para 2026 traz um dos refrões mais potentes da temporada: “Malunga ê! Malunga Léa, arroboboi / Toca o bravum com ancestralidade / No terreiro Mocidade!”. A bateria “Ritmo Puro”, sob o comando de Mestre Sombra, preparou bossas que incorporam ritmos de matriz africana, garantindo que o chão da comunidade ficasse ainda mais valente para a busca do 12º título da escola.

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